Já aqui expus resumidamente o que penso sobre a importância de Amália no mundo do Fado, ao constituir um abalo na sua estrutura, desvelando esse coração que literalmente foi independente, que atravessou a mole temporal até aos dias de hoje e que, quer queiramos quer não (não sendo difícil admiti-lo), não foi o que aconteceu com outros fadistas.
Esse coração independente foi também independente do (e no) tempo, latente, flamejante e trangressor. Por isso não será de estranhar que, no âmbito da exposição, vejamos trajes conotados com o fado tradicional ou cartazes de filmes dos anos 30 e 40, a partilhar o mesmo espaço que uma fotografia de Gabriel Abrantes, nu, numa piscina de borracha, segurando uma guitarra portuguesa, banhado por uma mistela com artefactos elucidativos de festa (bem) brava. Parabéns Amália:)
Nesta exposição estão congregados pedaços de tempo, diversas visões que viram (perdoem-me a redundância) em Amália um símbolo, directa ou indirectamente, e que quiseram oferecer um pouco de si sobre a nossa fadista, um pouco do seu significado.
Mesmo passados 10 anos após a sua morte, Amália continua a inspirar, a fazer suspirar corações, a fazer jovens ouvirem fado (mesmo pensando que são da autoria de Amália Hoje), a fazer parte integrante e legitimadora da pesquisa plástica de artistas como Joana Vasconcelos... Recorde-se, também, que grande maioria das obras dos artistas contemporâneos fizeram capa nas reedições em vinil dos fados de Amália, à venda na FNAC, integrados no projecto "Amália Nossa".
Deixo-vos um conjunto de fotografias que ilustram esse aprazível percurso (perdoem-me a legendagem insuficiente):
Sempre em palco
Gabriel Abrantes
Adriana Molder, Saudades de uma Estranha, 2009
Vestido e xaile bordados. Usado no Rio de Janeiro, 1944
Cartaz do filme, Mário Costa, 1947
Cartaz do filme, Hernâni e Rui, 1949
Dir: Maluda, Amália Rodrigues, 1964
Amália na imprensa
Amália na imprensa
Amália na imprensa
Pinto de Campos, vestido bordado e xaile, 1966; Farda Preta, 1987
Leonel Moura, Sem Título, 1987
Joana Vasconcelos, Coração Independente, 2005
Joana Vasconcelos, Coração Independente
Gaivota (Alain Oulman / Alexandre O'Neill)
Vi exposiçáo no Museu Berardo, gostei muito.
ResponderEliminarNão tive oportunidade de ver a exposição mas fiquei contente com o que pude ver neste blog
ResponderEliminarObrigada :)
ResponderEliminarBelo e jocoso "post", Ti Maria, gostei e estou bem arrependida de não ter ido à exposição. :o(
ResponderEliminarBjs.
Obrigada, Cigarra:) Ainda se pode adquirir o catálogo na loja do Museu Berardo. Penso que vale a pena, embora não constem todas as obras dos artistas contemporâneos.
ResponderEliminarAmália embajadora espiritual de Portugal. tambièn España a la que cantaste te ama y reconoce
ResponderEliminarJavier
Amália embaixadora espiritual de Portugal. Espanha, também, que cantou te ama e reconhece
Javier
Foi uma mulher que, tal como o Soldado, atravessou o Mundo inteiro.
ResponderEliminarVolte sempre Javier.