quinta-feira, 16 de junho de 2011

«Portal do Fado constitui base de dados de letras e músicas»

É o que podemos ler na notícia publicada pelo Hardmusica - Jornal de Cultura e Lazer.
Aqui se transcreve o texto:

«"A ideia começou por termos imensos pedidos de letras e quais as músicas, nomeadamente as tradicionais”, explicou um dos proprietários do site, Sérgio Miranda.

O site www.portaldofado.net é visitado diariamente por cerca de 2.500 pessoas, com uma acentuada fatia percentual de estrangeiros, disse o responsável.

Da ideia de responder aos pedidos, a equipa do Portal do Fado, projetou uma base de dados que além das letras incluísse os autores, os intérpretes que gravaram, o ano de criação e outras observações de interesse.

Na área fadista esta é uma questão sensível pois uma mesma letra pode ser cantada em músicas diferentes, assim como uma música pode servir a centenas de letras diferentes.
O essencial para que melodia e letra conjuguem é a métrica.

Sérgio Miranda reconheceu que “é uma teia complicada” mas sublinhou a necessidade de “uma memória correcta” desta tradição, tanto mais que “muitas vezes surgem letras adulteradas” e autores incorrectos ou nem sequer mencionados.

O investigador José Manuel Osório, por exemplo, contou à Lusa, que o fado “Mãos Sujas” de Frederico de Brito, que está registado, foi durante anos atribuído a outra pessoa que “calmamente recebia os direitos de autor”.

Sendo uma tradição marcadamente oral, facilita algumas trocas e involuntários erros, disse Miranda.

O gestor do Portal do Fado citou vários exemplos de cruzamentos que “baralham”.
“O fado ‘Rosa da Madragoa’ foi criado pela Lucília do Carmo, mas a Raquel Tavares também o canta e há pequenas alterações”, disse.

“A Amália por exemplo, recuperou muitos fados que eram interpretados por outras fadistas ou até intérpretes”, acrescentou.
Entre outros, do repertório de Amália consta “Fado Faia”, uma criação de Berta Cardoso, e também “Fado do Ciúme” ao que cortou uma estrofe, este, uma criação de Maria Alice.

“Nestes casos toma-se como criador o primeiro, apesar de nem sempre se ter a certeza absoluta, e acrescenta-se os outros que também gravaram o mesmo fado”, esclareceu.

Um exemplo é “Fui ao Baile”, criado no teatro de revista por Maria José da Guia, mas que foi gravado por Fernanda Baptista que a substituiu no teatro.

Outras situações são por exemplo, referiu, o tema “Toada do Desengano” que Mariza criou na melodia do Fado Franklin de Sextilhas, e Luísa Rocha gravou no Fado Acácio, “sendo o mesmíssimo poema de Vasco Graça Moura”.

A base de dados será preenchida pelos utilizadores cabendo aos gestores do Portal fazer a confirmação e procurar as fontes seguras da autoria, o que passa por “um trabalho mais sério com a Sociedade Portuguesa de Autores, mas também instituições que estão no meio como o Museu do Fado ou a Associação Portuguesa dos Amigos do Fado (APAF)”.

A equipa do Portal constituída por Sérgio Miranda (designer gráfico) e Miguel Amaral (guitarrista de fado) reconhece que a base de dados é uma ciclópica tarefa.
(IB)»

A ideia de base de dados relacional para este assunto em concreto era gira. Necessita de indexação e vocabulário controlado :)

domingo, 12 de junho de 2011

Festas de Lisboa 2011!!!




"A sardinha é minha", a Festa é nossa e... mais um fado para animar as hostes deste blogue suspenso nos patamares do tempo. Nas escadarias, ruas, ruelas, bairros, é que é a festa e uma pessoa sabe qual o bairro mais querido para comemorar os Santos Populares: a Madragoa, com um passeio por Lisboa inteira. Vamos então, na companhia de Mariema.





Mariema canta Anda Lisboa
(N. e Sousa - J. Bragança)
Orquestra Dirigida por Jorge Costa Pinto

video


«No recinto descoberto do ABC folheava-se o programa com interesse à procura do nome da jovem artista que estava a estrear-se tão auspiciosamente - Mariema se chamava a estreante! Num ambiente de agrado total, ela lá continuava a cantar, meneando a cabeça, gingando o corpo, enrolando no ar as suas mãos, em atitudes de "neo-fadistismo" isento de carrascão. Em Mariema há bairrismo, sim! Mas bairrismo de apartamento com três soalhadas e um grãozinho de "twist" sem largos espaços para amalucar.» Igrejas Caeiro (22-07-1964)