Caros leitores (se por aí ainda persistir algum). Fui ao blogue da minha vizinha do lado e vi uma coisa maravilhosa. Um blogue com desenhos de fadistas. Além dos magníficos desenhos, as montagens gráficas também estão notáveis. A obra é da autoria do ilustrador Raulowsky. É bom que o fado tenha a visibilidade além fronteiras, não só pelo seu valor patrimonial como pelo valor musical e poético. Cada letra um poema, cada poema com uma canção e cada canção com uma voz que lhe dá vida. O fado pode e deve ser uma arte em movimento. Uma arte para todas as artes e uma arte que revisite todos os tempos.
Mostrar mensagens com a etiqueta maria teresa de noronha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta maria teresa de noronha. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Ilustração e fado
Caros leitores (se por aí ainda persistir algum). Fui ao blogue da minha vizinha do lado e vi uma coisa maravilhosa. Um blogue com desenhos de fadistas. Além dos magníficos desenhos, as montagens gráficas também estão notáveis. A obra é da autoria do ilustrador Raulowsky. É bom que o fado tenha a visibilidade além fronteiras, não só pelo seu valor patrimonial como pelo valor musical e poético. Cada letra um poema, cada poema com uma canção e cada canção com uma voz que lhe dá vida. O fado pode e deve ser uma arte em movimento. Uma arte para todas as artes e uma arte que revisite todos os tempos.
Etiquetas:
ilustração,
maria teresa de noronha
segunda-feira, 27 de julho de 2009
MARIA TERESA DE NORONHA
Aqui apresenta-se a voz de Maria Teresa do Carmo de Noronha Guimarães Serôdio (1918-1993), cantando três fados, escolhidos a meu gosto, de entre um repertório riquíssimo, onde se destaca o fado Rosa Enjeitada, Fado das Horas, Alexandrino, Fado Anadia, entre outros. A voz de Maria Teresa de Noronha pode considerar-se inevitavelmente cativante, despertando paixões e reunindo consenso por parte de uma crítica que reconheceu o seu talento.
Voz soprano, cuja característica maior será o excelente alcance que atinge quando canta as notas agudas, perdendo a força quando a voz escoa pelas tonalidades mais graves, edificando uma escala dotada de intrínseco dramatismo. Esse dramatismo soube ela construir pela escolha do seu repertório (musical e lírico, constituído maioritariamente por poemas sobre amor/tristeza/saudade); pela modelação da sua voz, na utilização exímia dos pianinhos, que definem uma das suas principais qualidades enquanto fadista, assim como das ornamentações musicais, enquadradas e condizentes com a sua particular arte de expressar o fado.
Maria Teresa de Noronha não foi mulher do povo ou cantadeira das vielas de Alfama. Tal entende-se pela nobreza da sua voz, que parece contar a sua própria história. Mulher de linhagem aristocrática, foi filha de D. António Maria de Sales do Carmo de Noronha e de D. Maria Carlota Appleton de Noronha Cordeiro Feio. Casou com o 3º conde de Sabrosa, de sua graça José António Barbosa de Guimarães Serôdio, também ele rendido ao fado como guitarrista amador de profunda sensibilidade artística, e privou com os demais fadistas nos conceituados retiros de Lisboa.

Pessoa de fino trato, Maria Teresa de Noronha foi, segundo testemunham, uma mulher de grande coração, porém não muito calorosa. Visualize-se o oposto de Hermínia Silva, no que a ser calorosa diz respeito! Tem piada como o fado congrega os mais variados tipos sociais.
Maria Teresa de Noronha foi, e continua a ser, uma referência fortíssima (senão paradigmática) do chamado Fado Aristocrático, mesmo quando aristocrática era apenas ela, bem como os outros fadistas de nobre linhagem que abraçaram a Canção Nacional. O fado que cantou foi, pois, do povo e bem castiço, tanto que não era necessário, ou lógico, banhar-se em sangue azul, em termos estilísticos e musicais, para acontecer a uma bela voz que tão bem o soube cantar!
- Desengano, a cantar o amor e desamor, cheia de graciosidade.
DESENGANO
(Mário Pissarra /José Marques)
E adorei-te, acreditei
No bem que eu ambicionei
Dum amor sinceridade
As tuas promessas puras
E o calor das duas juras
Tinham a luz da verdade
Mas um dia te esqueceste
De tudo o que me disseste
Em confissões tão ardentes
Iludiste duas vidas
Com mil palavras fingidas
Que não sentiste nem sentes
Ao contemplar o passado
Como um golpe já fechado
Que ainda sinto doer
Vejo em teus falsos carinhos
Que as rosas têm espinhos
E também fazem sofrer.
- Na sua peculiar interpretação do Fado Hilário, destacam-se as potencialidades operáticas da sua voz.
FADO HILÁRIO
(Augusto Hilário)
Para cantar procurei
As minhas mágoas sem fim
Eram tantas que acabei
Por chorar com dó de mim
Passarinho, mesmo preso
És mais livre do que eu
Tu vives num cativeiro
E eu na dor que Deus me deu
Já não posso mais sofrer
Com tão amarga saudade
Dai-me a esmola de o esquecer
Minha mãe, por caridade
- De temática saudosista, o seguinte fado demonstra a expressividade e sensibilidade no domínio da expressão e da palavra.
FADO DA IDANHA
(Ricardo Borges de Sousa)
Quem me dera que voltasse
O doce tempo de além
Sentada junto à lareira
A ouvir cantar minha mãe
Ó tempo, tempo ditoso
Da vida eterno sorriso
Que terras em paraíso
Um mundo tão enganoso
Quanto à minha mãe, choroso
Lhe pôs um beijo na face
Lhe pedia que cantasse
Uma trova de bonança
E esse tempo de criança
Quem me dera que voltasse
Tempos que não voltam mais
Da nossa infância ridente
Em que eu vivia contente
Correndo atrás dos pardais
Das paredes dos casais
Que a nossa aldeia contém
Branquinhas como a cecem
Mudas como a gratidão
E recordam com paixão
O doce tempo de além
Fontes:
Sucena, E., Lisboa, o Fado e os Fadistas, Nova Vega e Autor, 2008
N'O Faia
Wiki PT
Wiki EN
Lisboa no Guiness
Fadistas Como Eu Sou
Voz soprano, cuja característica maior será o excelente alcance que atinge quando canta as notas agudas, perdendo a força quando a voz escoa pelas tonalidades mais graves, edificando uma escala dotada de intrínseco dramatismo. Esse dramatismo soube ela construir pela escolha do seu repertório (musical e lírico, constituído maioritariamente por poemas sobre amor/tristeza/saudade); pela modelação da sua voz, na utilização exímia dos pianinhos, que definem uma das suas principais qualidades enquanto fadista, assim como das ornamentações musicais, enquadradas e condizentes com a sua particular arte de expressar o fado.
Maria Teresa de Noronha não foi mulher do povo ou cantadeira das vielas de Alfama. Tal entende-se pela nobreza da sua voz, que parece contar a sua própria história. Mulher de linhagem aristocrática, foi filha de D. António Maria de Sales do Carmo de Noronha e de D. Maria Carlota Appleton de Noronha Cordeiro Feio. Casou com o 3º conde de Sabrosa, de sua graça José António Barbosa de Guimarães Serôdio, também ele rendido ao fado como guitarrista amador de profunda sensibilidade artística, e privou com os demais fadistas nos conceituados retiros de Lisboa.

Alfredo Marceneiro, Lucília do Carmo, Maria Teresa de Noronha e José António Barbosa de Guimarães Serôdio n'O Faia.
Pessoa de fino trato, Maria Teresa de Noronha foi, segundo testemunham, uma mulher de grande coração, porém não muito calorosa. Visualize-se o oposto de Hermínia Silva, no que a ser calorosa diz respeito! Tem piada como o fado congrega os mais variados tipos sociais.
Maria Teresa de Noronha foi, e continua a ser, uma referência fortíssima (senão paradigmática) do chamado Fado Aristocrático, mesmo quando aristocrática era apenas ela, bem como os outros fadistas de nobre linhagem que abraçaram a Canção Nacional. O fado que cantou foi, pois, do povo e bem castiço, tanto que não era necessário, ou lógico, banhar-se em sangue azul, em termos estilísticos e musicais, para acontecer a uma bela voz que tão bem o soube cantar!
- Desengano, a cantar o amor e desamor, cheia de graciosidade.
DESENGANO
(Mário Pissarra /José Marques)
E adorei-te, acreditei
No bem que eu ambicionei
Dum amor sinceridade
As tuas promessas puras
E o calor das duas juras
Tinham a luz da verdade
Mas um dia te esqueceste
De tudo o que me disseste
Em confissões tão ardentes
Iludiste duas vidas
Com mil palavras fingidas
Que não sentiste nem sentes
Ao contemplar o passado
Como um golpe já fechado
Que ainda sinto doer
Vejo em teus falsos carinhos
Que as rosas têm espinhos
E também fazem sofrer.
- Na sua peculiar interpretação do Fado Hilário, destacam-se as potencialidades operáticas da sua voz.
FADO HILÁRIO
(Augusto Hilário)
Para cantar procurei
As minhas mágoas sem fim
Eram tantas que acabei
Por chorar com dó de mim
Passarinho, mesmo preso
És mais livre do que eu
Tu vives num cativeiro
E eu na dor que Deus me deu
Já não posso mais sofrer
Com tão amarga saudade
Dai-me a esmola de o esquecer
Minha mãe, por caridade
- De temática saudosista, o seguinte fado demonstra a expressividade e sensibilidade no domínio da expressão e da palavra.
FADO DA IDANHA
(Ricardo Borges de Sousa)
Quem me dera que voltasse
O doce tempo de além
Sentada junto à lareira
A ouvir cantar minha mãe
Ó tempo, tempo ditoso
Da vida eterno sorriso
Que terras em paraíso
Um mundo tão enganoso
Quanto à minha mãe, choroso
Lhe pôs um beijo na face
Lhe pedia que cantasse
Uma trova de bonança
E esse tempo de criança
Quem me dera que voltasse
Tempos que não voltam mais
Da nossa infância ridente
Em que eu vivia contente
Correndo atrás dos pardais
Das paredes dos casais
Que a nossa aldeia contém
Branquinhas como a cecem
Mudas como a gratidão
E recordam com paixão
O doce tempo de além
Fontes:
Sucena, E., Lisboa, o Fado e os Fadistas, Nova Vega e Autor, 2008
N'O Faia
Wiki PT
Wiki EN
Lisboa no Guiness
Fadistas Como Eu Sou
Etiquetas:
aristocracia,
maria teresa de noronha,
opinião
Subscrever:
Mensagens (Atom)