
Teatro S. Luiz
9 E 10 OUT
FADISTAS CANTAM AMÁLIA
SEXTA E SÁBADO ÀS 23H30
Joana Amendoeira Voz
Celeste Rodrigues Voz
João Ferreira Rosa Voz
Pedro Amendoeira Guitarra Portuguesa
Pedro Pinhal Viola de Fado
Paulo Paz Contrabaixo e Baixo
José Fontes Rocha Guitarra Portuguesa
Diogo Clemente Viola de Fado
Joel Pina Viola Baixo
Concepção e Autoria Hélder Moutinho
Gostei muito! Foi um prazer ter ouvido Celeste Rodrigues ao vivo, que foi, principalmente, quem me levou a assistir este espectáculo. Adicionalmente, João Ferreira Rosa cantou uns belos fados e pude ter, também, a oportunidade única de ouvir Fontes Rocha e Joel Pina numas boas guitarradas. Ou seja, tendo em conta o objectivo inicial, saí ainda mais preenchida do que pensava. Estes senhores (e a Senhora) estão cheios de força e não é por acaso que fazem parte dos melhores.
Recordo-me especialmente da Dª Celeste a cantar Fado Celeste. Adorei!
Joana Amendoeira foi uma excelente anfitriã, sempre animada do início ao fim. Ainda pensei que a rapariga tivesse tomado qualquer coisinha para não ter parado de abanar a cabeça durante todo o espectáculo. Energia invejável, a dela! Já não direi o mesmo a cantar o fado, porque realmente o seu registo de voz e atitude ondulante não condizem com as minhas preferências.
Gostava só de fazer uma pergunta, e não me levem a mal: o que é que estava a fazer um contrabaixo no conjunto de acompanhamento? Por causa do seu famigerado "bafo"? Não desfazendo o talento de Paulo Paz, penso que o som estaria com uma excelente projecção e modelação com duas guitarras portuguesas e duas violas de fado, amplificadas por microfones, como estavam.
Gostei de ouvir alguns convidados, especialmente uma menina que cantou Amor de Mel Amor de Fel. Tímida e sensível, captou e transmitiu muito bem o que lhe ia na alma (ou o que se pensa que ia) ao cantar esse fado, deixando, por vezes, escapar um certo nervosismo.
Confesso que, para mim, o momento alto da noite foi quando desligaram os microfones e se cantou uma desgarrada, que tão bem se ouviu, assim ao natural, onde as vozes sobressaíram com as suas qualidades próprias.
Há uma coisa que se anda a perder, coisa essa que não abunda muito por terras de Portugal e que se chama boa educação. Neste caso, em que se ia ouvir Fado, a assistência devia primar pelo silêncio. Não é por acaso que ele é pedido, sugerido ou ordenado, quando se canta esse ritual que é o Fado. Pois há gente que prefere tecer comentários parvos em vez de ouvir e procurar envolver-se na música ou, caso não se goste deste ou daquele fado, pelo menos deixar que os outros fruam sem barulho de fundo. É que posso não ter ouvido de tísica, mas ouço o quanto baste.
Fora estes e outros pormenores foi, no meu entender e sentir, uma noite a recordar para sempre, pelas melhores razões.