domingo, 12 de junho de 2011

Festas de Lisboa 2011!!!




"A sardinha é minha", a Festa é nossa e... mais um fado para animar as hostes deste blogue suspenso nos patamares do tempo. Nas escadarias, ruas, ruelas, bairros, é que é a festa e uma pessoa sabe qual o bairro mais querido para comemorar os Santos Populares: a Madragoa, com um passeio por Lisboa inteira. Vamos então, na companhia de Mariema.





Mariema canta Anda Lisboa
(N. e Sousa - J. Bragança)
Orquestra Dirigida por Jorge Costa Pinto




«No recinto descoberto do ABC folheava-se o programa com interesse à procura do nome da jovem artista que estava a estrear-se tão auspiciosamente - Mariema se chamava a estreante! Num ambiente de agrado total, ela lá continuava a cantar, meneando a cabeça, gingando o corpo, enrolando no ar as suas mãos, em atitudes de "neo-fadistismo" isento de carrascão. Em Mariema há bairrismo, sim! Mas bairrismo de apartamento com três soalhadas e um grãozinho de "twist" sem largos espaços para amalucar.» Igrejas Caeiro (22-07-1964)

sábado, 28 de maio de 2011

Finalmente?

Público, 28.05.2011 - 16:27 Por Lucinda Canelas

Protocolo

Ministério e CML chegam a acordo sobre futuro do "espólio do fado"


«Dez anos e seis ministros da Cultura depois, a situação do "espólio do fado", nome por que ficou conhecida a colecção de oito mil registos fonográficos reunida pelo britânico Bruce Bastin e vendida a Portugal por 910 mil euros em 2009, vai ser resolvida formalmente. Como? Através de um protocolo entre o Ministério da Cultura e a Câmara Municipal de Lisboa, que deverá ser assinado na próxima semana e que estabelecerá as condições de preservação e estudo do acervo que está há quase três anos no Museu do Fado.

"O que o protocolo vai fazer é regular a forma como a colecção vai ser gerida entre o ministério e a câmara, os dois co-proprietários", disse ao PÚBLICO Miguel Honrado, presidente da Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), a empresa municipal que dividirá com o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) a responsabilidade da colecção.

O ministério e a câmara partilharam os custos da aquisição do espólio em parte desiguais, pagando a administração central 70 por cento do montante total, quase 640 mil euros (o mecenas prometido não chegou a aparecer). Por ter pago menos, explicou Miguel Honrado, a autarquia, através da EGEAC e do seu Museu do Fado, ficará agora encarregada de garantir a fase seguinte, do estudo e digitalização dos registos.

"Não teria valido a pena comprar a colecção se ela ficasse fechada nas reservas de um museu. É preciso tratá-la e disponibilizá-la", afirmou.

Mal se assine o protocolo, uma equipa de investigadores dirigida pela directora do Museu do Fado, Sara Pereira, pelo musicólogo Rui Vieira Nery e pela etnomusicóloga Salwa Castelo-Branco, da Universidade Nova de Lisboa, darão início a um processo de inventariação, estudo e digitalização da colecção reunida por Bruce Bastin (ver caixa).

Conhecer a colecção

O acervo, que Rui Vieira Nery considera de extrema importância para a história do fado e da gravação fonográfica em Portugal, inclui cinco mil registos em 78 rotações feitos entre 1904 e 1945 pela major inglesa Gramophone e por editoras como a HMV e a Columbia. Mas há também três mil "rodelas" compradas no Brasil pelo coleccionador, que foram as últimas a chegar ao museu. São de Júlia Florista, Maria Vitória, Delfi da Cruz, António Menano e do popular Alfredo Marceneiro as principais vozes que Bastin reuniu.

"A colecção é muito importante, mas precisamos de conhecê-la melhor e de a dar a conhecer quando esse trabalho de estudo estiver feito", diz Miguel Honrado, acrescentando que ela deverá depois integrar um grande arquivo digital, uma das medidas previstas no plano de salvaguarda da candidatura do fado a património mundial, submetida à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em Junho do ano passado.

Nesta altura faltam seis meses para saber se o fado passará a fazer parte da lista do património imaterial da humanidade. Em Novembro o comité internacional da UNESCO reúne -se em Bali e o optimismo, tal como a responsabilidade, é grande. A candidatura, explica Miguel Honrado, impõe limites precisos ao plano de salvaguarda: "Tem de se cumprir entre 2011 e 2013, o que significa que temos pouco mais de dois anos para pôr o arquivo digital a funcionar, ou grande parte dele, pelo menos."

E, depois, a colecção mantém-se no Museu do Fado ou passa para o futuro Museu Nacional da Música? É possível que venha a passar para o museu do IMC, "mas nada está ainda decidido".

Em Maio do ano passado, o secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, anunciou que em 2014 o Museu da Música sairia das instalações que ocupa na estação de metro dos Alto dos Moinhos desde 1994, instalando-se no Convento de São Bento de Cástris, em Évora, um imóvel que está devoluto e cuja adaptação exigirá obras profundas, disse à data a directora regional de Cultura do Alentejo, Aurora Carapinha. Essas obras ainda não começaram.»

*

Mal se assine o protocolo será preciso iniciar um processo de inventariação, estudo e digitalização da colecção (Enric Vives-Rubio)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Fado Património da Humanidade

Neste momento temos concerto de fado, ao vivo e "no ar", a ser transmitido via Facebook.

Veja AQUI

Apesar de não ser, nem de perto nem de longe, a mesma coisa que ver ao vivo um concerto, é sem dúvida de louvar que transmitam o fado e espero que, no futuro, esta seja uma forma de transmissão comum dos concertos, seja de que estilo forem.

Saudações!

Portal do Fado - "Contos de Fados" o novo disco de Aldina Duarte

Portal do Fado - "Contos de Fados" o novo disco de Aldina Duarte

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Amália Rodrigues Rasga o Passado

Para ouvir de olhos fechados...


Amália Rodrigues canta Rasga o Passado (Álvaro Duarte Simões / Alain Oulman)




Tu fizeste
Do meu viver um sonho agreste
E a minha mocidade
Pela tua maldade
Em troca te dei

Querias mais
Mais que o corpo e a alma
Mais que a paz e a calma
Que em ti nunca encontrei

Dia a dia
Em vez do amor a nostalgia
Que ao fim de tantos anos
Queres mais desenganos
De novo ao meu lado

Não posso esquecer
Que é já tarde demais p'ra te querer
Como carta que rasgas sem ler
Rasga o passado

O passado
Não deve nunca ser guardado
Quer em cada momento
Que se viva um lamento
Um sorriso fugaz

Pois mais tarde
Numa carta esquecida
Encontramos a vida
Que já ficou p'ra trás

É diferente
O sol feito de luz ardente
Do mesmo sol poente
Que arrasta consigo
O dia acabado

Já basta saber
Que há em nós a saudade a doer
Se afinal recordar é sofrer
Rasga o passado

domingo, 9 de janeiro de 2011

Ídolos do Fado




Infelizmente o ano de 2010 não viu a reedição deste livro histórico e fora de circulação há bastante tempo. Continuamos à espera!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Boas Festas!

O Soldado do Fado deseja Boas Festas aos seus leitores...



... e um próspero ano de 2011, mesmo com a crise. Valha-nos o Fado :)

domingo, 7 de novembro de 2010

Tristão da Silva (1927-1978)

Tenho andado a ouvir alguns fados e canções interpretados por Tristão da Silva. Apesar do meu ouvido pender notoriamente para vozes femininas, tenho vindo a compreender as delícias do masculino no Fado, bem associadas à força e romantismo. No caso deste fadista ou cançonetista em especial, existe uma centralidade romântica, que o coloca ao nível de um dos melhores cantores portugueses, pelo seu timbre quente, voz extremamente bem colocada (um ouvido treinado apercebe-se quando o fenómeno ocorre) e emoção no cantar, contido mas suficientemente liberto por uma irrepreensível dicção.

Manuel Augusto Martins Tristão da Silva, alfacinha de gema, nasceu na freguesia da Penha de França. Em 1937, com 10 anos de idade, foi convidado pelo empresário José Miguel, para cantar no Café Mondego. Era conhecido como o “miúdo do Alto do Pina”, assim como aconteceu com outros fadistas da época, devido ao popular concurso de fados. Para além das cantigas, enveredou pela profissão de marçano e depois marceneiro.

Ao longo da sua carreira como fadista, orientou o seu repertório em torno do fado-canção, acompanhado por orquestra e não pelas tradicionais guitarras. O exemplo que aqui coloco corresponde a uma das várias excepções à vertente orquestrada, que igualmente aprecio.

Sucederam-se as tentativas goradas para admissão à Emissora Nacional. Após o tremendo sucesso que foram os êxitos “Nem às Paredes Confesso” e “Maria Morena”, as provas de admissão abriram portas ao mundo da rádio, pautando assim a notável projecção da sua carreira musical. Foi o segundo artista português a actuar num programa da RTP. À semelhança dos fadistas coevos actuou fora de Portugal, em países como Espanha, Argentina, Uruguai, Peru. Chegou a radicar-se no Brasil, onde abriu um restaurante típico (tradicional português).

Em 1964 regressou a Portugal e retomou as suas actuações nos templos do Fado. Integrou o elenco da revista "Férias em Lisboa"; segundo consta era um exímio executante de bilhar, sofria de gaguez, mas quem canta assim…

Faleceu prematuramente num acidente de automóvel, em 1978. Será para sempre recordado como um dos fadistas de pendor romântico que Lisboa conheceu e abraçou.

A escolha do fado para recordar Tristão da Silva não foi fácil, mas como este Soldado não é um concurso de hits, futuramente colocarei outros. Desde já deixo-vos com “Lisboa é Sempre Lisboa”, um lindo fado sobre a nossa cidade e que se distingue da restante oferta online, que necessita de variedade, para este e para outros fadistas.



Tristão da Silva canta Lisboa é sempre Lisboa (Artur Ribeiro / Nóbrega e Sousa)




Lisboa tem o ar feliz de uma varina
E o vai e vem de uma canção em cada esquina
Pelos mercados fresca e gaiata
Faz zaragata, perde a tonta cabecita
Aqui e ali namora e ri e sem vaidade
Veste de chita, canta o Fado e tem saudade

Lisboa é sempre Lisboa
Dos becos e das vielas
E das casinhas singelas
D’Alfama e da Madragoa
Dos namorados nas janelas
Das marchas que o Povo entoa
Da velha Sé, das procissões
E da Fé, com seu pregões
Lisboa é sempre Lisboa

Pela Manhã vai trabalhar toda garrida
De tarde ao chá Lisboa ri cheia de vida
Mas à noitinha olhos rasgados
Semicerrados na oração mais bizarra
Lisboa então só coração d’alma elevada
Presa à guitarra canta até de madrugada

Lisboa é sempre Lisboa
Dos becos e das vielas
E das casinhas singelas
D’Alfama e da Madragoa
Dos namorados nas janelas
Das marchas que o Povo entoa
Da velha Sé, das procissões
E da Fé, com seu pregões
Lisboa é sempre Lisboa


Fontes online:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Trist%C3%A3o_da_Silva
http://elfado.x-centrico.com/?cat=24
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/57691.html
http://ofadodelisboa.blogspot.com/2007/02/o-mido-do-alto-do-pina.html
http://www.portaldofado.net/content/view/1461/277/
http://fonoteca.cm-lisboa.pt/cgi-bin/info3.pl?409&CD&0

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Blogue Histórias Giras do Fado por Vital d'Assunção



Histórias Giras do Fado

São giras, realmente, dispõem bem, e a última é sobre a nossa grande Berta.
Andei eu a cogitar com a minha comadre sobre o papel atribuído à Berta no musical do La Feria (ela nem quis falar-me no assunto...) e deparo-me com este texto. Não imediatamente, mas quase... continuam os fados a cair-me no colo. Eu não sei o que pensam, mas para quem não conheceu a referida fadista, fica-se com muito má impressão... No entanto, a personagem pareceu-me mais uma caricatura ou, por assim dizer, um comic relief, do que um retrato verosímil da senhora. Vá, não estou a desculpar ninguém, mas para mim o que continua a importar é a música e não o espectáculo. Espectacular é vê-lo "dobrado" enquanto "dou brado"... a rir.