quarta-feira, 14 de abril de 2010

Fados à Conversa no CCB



Encontrava-me a pesquisar sobre os Dias da Música no CCB, quando me deparei com estes Fados à Conversa.
Esta predisposição natural para o Fado faz com que o encontre em qualquer sítio, ou melhor, faz com que seja encontrada, porque neste âmbito, e ao que ao Fado diz respeito, não existe muita possibilidade de escolha.
Voilá, o ciclo Fados à Conversa inaugura com Carminho, no dia 16 Maio 2010, pelas 17:00. Óptima ocasião para conhecer como nasce uma fadista de tão singular quilate.
Trata-se do segundo ciclo de Concertos à Conversa que parte de um conjunto de convidados por sessão, desta feita, dedicada ao Fado. Durante os dias 16, 23 e 30 de Maio, terminando no dia 6 de Junho, podemos conhecer e ouvir Carminho, José Fontes Rocha, Joana Amendoeira, Ricardo Parreira, Fernando Alvim, Rodrigo, entre outros. A direcção artística fica a cargo de Hélder Moutinho.

Se a história do fado conta com pouco mais de um século, as histórias do fado contam-se às centenas. E algumas ficam para a história. Helder Moutinho conhece-as bem. Nasceu numa família de fadistas e, ao longo dos seus quarenta anos, entre palcos e casas de fado, conviveu de perto com várias gerações de vozes, poetas, músicos e compositores. E porque um dos maiores prazeres da música reside no dá-la a conhecer aos outros, Helder Moutinho propõe-nos ouvir, ao longo de quatro concertos e quatro conversas, alguns dos mais destacados representantes das várias gerações que conhece do fado.

Consulte a programação em:
Fados à Conversa

terça-feira, 23 de março de 2010

Desgarrada

Recordem:


Joaquim Campos


Ercília Costa


António Menano


Joaquim Campos, Ercília Costa, António Menano cantam A Desgarrada (Popular - Fernando Teles)
Guitarra - Armandinho
Viola - Georgino de Sousa



Há no coração do homem
Tanta vontade de amar
Que as penas não o consomem
Por mais que o façam penar

É engano, há na mulher
Um amor mais puro e forte
Pois quando o coração quer
Vai o amor além da morte

Duma leve simpatia
Muitas vezes sem se querer
Vai crescendo tanto e tanto
Que d'amor nos faz morrer

Quando o homem ama e quer
Com toda a força da alma
Não há nenhuma mulher
Que em amor lhe leve a palma

Quando os nossos peitos tomem
Uma paixão verdadeira
Tanto a mulher como o homem
Amam da mesma maneira

Há sempre coisas mesquinhas
No perceber de quem ama
O ninho das andorinhas
É construído de lama


É uma desgarrada de ouro de uma época não menos áurea. Puro fado, isso sim! Intemporal, na música, nos intérpretes e nas palavras. Até porque, quando por amor se sofre, a lama é sempre a mesma.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Rosa Caída

Ada de Castro canta Rosa Caída (Joaquim da Silva Borges / Joaquim Campos)



Por trás do espelho quem está...? Uma mulher que sofreu.

Já não és a minha vida
De ti não tenho ciúme
Olha que a rosa caída
Mesmo depois de colhida
Continua a ter perfume

Julgando que me torturas
Passas com outra ao teu lado
Eu não caminha às escuras
Tenha a luz das amarguras
A iluminar meu passado

Não queiras compreender
Aquilo que já sofri
Só tenho pena de ser
Aquela a quem o sofrer
A fez mais gostar de ti

Já fui a rosa esquecida
Que esperava a Primavera
Agora tenho outra vida
Já não sou rosa caída
Voltei a ser o que era

sábado, 13 de março de 2010

Parabéns Ada!

Pelos 50 anos da sua carreira, que alguns resolveram lembrar-se.
O jornal Hardmusica publicou uma notícia, a qual volto a publicar neste blogue, para dela ter sempre registo.
Passando ao lado da comum retrospectiva da sua carreira, prefiro aqui deixar uma sincera homenagem com um fado.
O registo da voz de Ada de Castro sempre me agradou tendo sempre feito parte dos meus favoritos. Soube, através de uma fonte inesperada, que Ada de Castro, antes de se profissionalizar, cantava muitos fados da Hermínia Silva. Diziam até que as suas vozes eram parecidas. Na minha opinião, não diria tanto pela voz, mas pela forma de cantar, pelo repertório escolhido, pelo sentimento dedicado, pela garra e a raça fadista, castiça e bairrista. Sim, não me admira que isso seja idêntico e transmissível. Gostava de ver mais gente nessa sincronia. Também me disseram que era uma apaixonada pela voz de Maria Teresa de Noronha. Uma mulher de bom gosto, portanto.
Fadinhos como “Não me Atires Poeira aos Olhos” caem-me no colo em alturas que até parece que adivinham... É que é engraçado quando sentimos que alguém insiste em atirar-nos poeira aos olhos mas, por alguma intempérie momentânea, um ventinho sopra, e lá vai a areia direccionada para outro lado qualquer (ou para os olhos de outra pessoa, o que até tinha alguma piada). Para os meus olhos vão apenas as verdades que a noite encobre (onde é que já ouvi isto?:]), as realidades que se pressentem, as expressões que se vislumbram, os sentimentos cuja condição é realmente precária, como é toda uma vida no tempo presente, ainda mais do que antes.
Enfim, não deixa de ter a sua graça ver a ingenuidade com que me atiram poeira aos olhos. E eu a vê-la passar também não sou diferente...
Vai um fado e um tinto, para esquecer o dissabor.
Desejo bom resto de Sábado a todos, em especial à Dª Ada de Castro, que não merece estar envolvida nas confissões de uma fadistona chorosa.


Ada de Castro canta Não me Atires Poeira aos Olhos (António José, Nóbrega e Sousa)



Ada de Castro fala de si e do Fado
Hardmúsica, 13 MAR, 2010 por Zita Ferreira Braga

Ada de Castro mora em Lisboa, mais exactamente em Campo de Ourique mas não é aqui que tem as suas raizes. Nasceu no Castelo, perto de Alfama, berço de muito Fado e de muitos que o cantam.

"Sou uma mulher simples que ama o Fado e que tudo tem feito para o cantar bem. Sou das fadistas castiças que cantam com voz velada e um cheirinho de rua".
E Ada continua a descrição do que tem sido a sua vida de fadista:"Cantei a primeira vez como profissional no Faia, que era do pai do Carlos do Carmo, um homem muito simpático. Gostaram muito de mim e fui continuando a cantar. Só canto fados meus. Também apadrinhei muitas marchas sempre diferentes e foi sempre uma coisa de que gostei muito".

E Ada continua a falar embalada pelas recordações mas sem qualquer laivo de melancolia: " sabe para mim há uma figura máxima no Fado, a Maria Severa, e a partir daí vem Amália e depois vêm mais umas outras. Por exemplo fala-se pouco de Hermínia Silva uma pessoa que fez parte da minha vida porque a minha avó foi sua contemporânea e falava-se muito dela. Mas este país esquece os grandes artistas. Veja a Laura Alves. Ninguém fala dela e foi uma das melhores actrizes portuguesas".

Aqui o Hardmusica decidiu perguntar-lhe se se considera uma Diva uma vez que está incluida no rol das divas agora editado pela Fonoteca: " de modo nenhum. E penso que não há divas no Fado. Diva para mim é talvez a Maria Callas na ópera, a Piaff na canção. Diva é uma nome que não se aplica ao Fado e a haver seria a Severa."
Perguntámos a Ada de Castro como via ela o papel do Museu do Fado no panorama artístico actual mas a fadista não quiz adiantar muito sobre esta questão embora seja um local onde vai sempre que é solicitada.

"Ada de Castro, acha que lhe vão fazer uma festa como têm feito a outras colegas?"
Resposta imediata " Não". Com mais calma elucidou: "Mas se me quiserem fazer eu vou com toda a certeza. Mas ser eu a pagar para ter uma festa isso não!"
Mas esta fadista tem um talento em que a voz não entra: gosta de pintar. Autodidacta, recusa-se a ter lições porque "gosto de pintar o que quero, como quero e quando quero e se tivesse lições perdia a espontaneidade que ponho nas minhas pinturas"

Ada de Castro faz neste sábado, 13 de Março, 50 anos de actividade artística como fadista.
Cantou em várias casa de fado e actuou em inúmeras casas de espectáculo do país.
Visitou profissionalmente vários países, tendo actuado quer ao vivo quer nas televisões dos mesmos: Espanha, Dinamarca, Suécia, Bélgica, Holanda, Japão, China, França, Itália, Brasil, Argentina, Uruguai, EUA, Canadá e toda a antiga África Portuguesa, foram locais onde deixou a sua voz e o seu Fado.

No Mónaco actuou nos jardins do palácio Grimaldi para toda a família do príncipe Reinier incluindo a princesa Grace.
No Brasil actuou em todos os Estados da Federação a convite do Governo Brasileiro, isto em 1968.

Gravou para várias editoras, não só em Portugal mas também no Brasil e Holanda, detendo entre fados e marchas um total de 550 números gravados.

São inúmeros os prémios recebidos como em 1962, o óscar pela melhor fadista, prémio RTP, outro óscar em 1968 como melhor fadista do ano, em 1964 um elefante de ouro,em 1982 mais um óscar como melhor fadista do ano e por aí adiante.

Um pormenor que Ada conta com muita graça: "Veja só. Sou do Benfica e tenho uma placa de agradecimento do Sporting". E lá estava ela!



Links:
http://www.hardmusica.pt/noticia_detalhe.php?cd_noticia=4620

Biografia:
http://jsilva.bloguedemusica.com/r296/Ada-de-Castro/
http://www.portaldofado.net/content/view/1363/67/

Fados:
http://fadocravo.blogspot.com/2008/11/ada-de-castro-cigano-ou-troca-por-troca.html
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/76350.html

sábado, 6 de março de 2010

ARGENTINA SANTOS Não sei se canto se rezo




I do not know whether I’m singing or praying, é aquele mote entendido em qualquer língua, onde se isola uma ligeira nuance entre o cantar, rezar ou, até mesmo, pregar. Argentina Santos, do alto da sua dignidade de mulher e fadista, assim expressa, na doçura dos seus pianinhos, na riqueza melódica da sua voz, na verdade do seu cantar, a solidez do seu papel, onde se encontra, desde há algumas décadas, amplamente reconhecida. Sem qualquer pretensão a vedetismos, na sua entrega intimista, muitos testemunharam, naquela que é a sua Casa, a "Parreirinha de Alfama", a envolvência do seu cantar e a sedução dos seus dotes gastronómicos.

O Museu do Fado, pela segunda vez, homenageia a fadista, com uma exposição que exibe o seu espólio artístico, cuja reprodução podemos trazer connosco, por via do catálogo belissimamente ilustrado, com uma concepção gráfica notável. De destacar a possibilidade de podermos apreciar os projectos de António Viana para a concretização da exposição, que são, a meu ver, autênticas obras de arte, por si só. É ainda apresentada a discografia da fadista, incluindo as gravações de espectáculos, que ocorreram na casa de fados "Parreirinha de Alfama", congregando muitas figuras do nosso fado, que ali encantaram os seus admiradores e cultores.

O fadista Carlos do Carmo foi impulsionador da carreira além-fronteiras de Argentina Santos, juntamente com a imprensa especializada, que sempre a acompanhou e legitimou no seu papel incontornável, mesmo fora de um círculo mais ou menos fechado de apreciadores. De Argentina Santos, hoje com 86 anos, reconhecemos, para além do seu imenso dote nas vocalizações da alma, aquilo que as palavras podem definir como a uma inabalável Verdade.

A mim ninguém me diz nada. Nem a maneira de cantar. Eu nunca canto igual, nem repertório nem nada. Eu estou muito acostumada a mandar em mim, gosto muito de mandar em mim, de maneira que aquilo que gosto é aquilo que canto, é aquilo que sinto.
Argentina Santos

E disse alguém que o fado era canção de vencidos...


Argentina Santos canta Reza (Clemente Pereira/Miguel Ramos)


Visite a exposição no Museu do Fado de 28 de Fevereiro a 30 de Abril de 2010.

Links:
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/200798.html
http://fadocravo.blogspot.com/search/label/Argentina%20Santos
http://www.museudofado.egeac.pt/
http://jsilva.bloguedemusica.com/r299/Argentina-Santos/

segunda-feira, 1 de março de 2010

CONTRASTES

Após um breve interregno, tão duradouro quanto a publicidade da TVI, cá me apresento novamente, provinda da caserna onde descansei e ouvi a Berta Cardoso a cantar só para mim; lembrei-me que dantes até escrevia sobre fado... Recordei-me que o fado tem destas coisas engraçadas de pertencer a todos os tempos e não pertencer a nenhum.

Há aqueles fados que são intemporais e aqueles que se vê que pertencem bem a estes tempos, seja pela produção sonora, pelas soluções instrumentais, pela actualidade das letras, ou pela irreverência na interpretação. Penso ser interessante contrastarmos (e constatarmos) essa substancial diferença entre o “original” e a “versão”, o novo e o velho, o actual (de agora) e o intemporal (de outrora e por aí fora...); o recente que amplifica o passado e o passado que justifica a novidade, legitimando-se assim...

São duas interpretações de que gosto, que me agradam pelas suas diferenças e por aquilo que carregam em comum. Quero agradecer à minha vizinha da frente [N. do A., da frente, sendo assim mais fácil gritar “bom dia” e ela ouvir-me e ver-me, assim como pedir-lhe aqueles distintos raminhos de violeta que ela semeia à janela da cozinha] por ter-me enviado esta versão da Hermínia Silva ao vivo a cantar o fado que conheço como “A Rua Mais Lisboeta”. Da Aldina Duarte, a gravação que possuo é a que consta no CD “Mulheres ao Espelho”. Ainda da nossa Hermínia Silva podem encontrar uma gravação de muito boa qualidade no CD “O melhor de Hermínia Silva” editado pela iPLAY, 2008.


Hermínia Silva canta A Rua Mais Lisboeta (José Lourenço Rodrigues / Vasco de Macedo)




Aldina Duarte canta A Rua Mais Lisboeta (José Lourenço Rodrigues / Vasco de Macedo)



Cá p'ra mim a minha rua
É um risonho canteiro
Tem gatos miando à lua
Nos telhados em Janeiro

Tudo ali é português
Ai, tudo lá vive contente
Vive o pobre e o burguês
É pequenina talvez
Mas cabe lá toda a gente

Melhor nunca vi
Que a rua onde eu nasci
A rua é pobrezinha
Mas tem uma graça infinda
É humilde qual aldeia
Embora digam que é feia
Cá p'ra mim é mais linda

Não há ódios nem maldades
E tudo ali é singeleza
Não pode haver na cidade
Rua assim mais portuguesa

Ai, nada tem que seja novo
Essa rua da gentalha
E assim canto e me comovo
Pois é a rua do povo
Que labuta e que trabalha

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Faleceu o guitarrista Jorge Fontes

Notícia extraída do jornal Público 26 JAN 2010

O guitarrista Jorge Fontes, 75 anos, morreu hoje de manhã à saída da sua residência na Damaia (Amadora), disse à Lusa uma familiar do músico.

Jorge Fontes acompanhou vários fadistas, como Amália Rodrigues e Fernando Farinha, e colaborou ainda com José Afonso, no EP “Cantares” (1964), Quim Barreiros, no seu primeiro disco, em 1971, e António Variações, no álbum “Dar e receber”. Editou ainda vários discos com o seu conjunto de guitarras.

O estudioso de fado José Manuel Osório disse à Lusa que Jorge Fontes “foi um dos campeões de gravações de discos, juntamente com António Chaínho”, outro guitarrista da sua geração. “Praticamente todos os grandes nomes do fado foram acompanhados por ele, além de ter incentivado muitos fadistas, alguns já retirados, a gravar discos, e nesse sentido é importantíssimo para a história da discografia fadista”, salientou José Manuel Osório.

O seu último álbum foi editado em 2007, pela Metro-Som, e inclui, entre outras temas, “As minha variações em Lá” e “o que me disse a guitarra”, ambos da sua autoria, e “Picadinho do Minho” e “Ó Malhão”, para o quais fez os arranjos.

Tristão da Silva, Ada de Castro, Maria da Fé, Fernanda Maria, Fernanda Pinto, Frederico Vinagre e Lenita Gentil foram outros dos nomes que acompanhou. Como músico integrou o elenco de várias casas de fado de Lisboa, designadamente Arcadas do Faia e Restaurante Típico O Forcado, onde actuou durante 29 anos, no Bairro Alto.

Actuou por diversas vezes em programas recreativos da RTP e no estrangeiro, designadamente em Espanha, França, Bélgica, Itália, Holanda e Suécia. O corpo do guitarrista encontra-se na igreja de N.ª Sr.ª de Fátima em Lisboa, onde é hoje rezada missa de corpo presente pelas 19h00. O funeral do músico realiza-se quarta-feira pelas 09h00 para o cemitério de Carvalhos (Vila Nova de Gaia).

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Amália, Coração Independente

É já neste novo ano de 2010 que deixo um testemunho da exposição que vi ainda em 2009. Só compareci na versão Museu Berardo, tendo a outra ficado para outros carnavais, que ainda não chegaram e provavelmente não chegarão. Portanto, ambas as exposições funcionam em simultâneo, de 06 OUT 2009 a 31 JAN 2010 no Museu Colecção Berardo e no Museu da Electricidade. Não sei se já têm conhecimento, mas li algures que a exposição será posteriormente transferida para o Brasil.

Já aqui expus resumidamente o que penso sobre a importância de Amália no mundo do Fado, ao constituir um abalo na sua estrutura, desvelando esse coração que literalmente foi independente, que atravessou a mole temporal até aos dias de hoje e que, quer queiramos quer não (não sendo difícil admiti-lo), não foi o que aconteceu com outros fadistas.

Esse coração independente foi também independente do (e no) tempo, latente, flamejante e trangressor. Por isso não será de estranhar que, no âmbito da exposição, vejamos trajes conotados com o fado tradicional ou cartazes de filmes dos anos 30 e 40, a partilhar o mesmo espaço que uma fotografia de Gabriel Abrantes, nu, numa piscina de borracha, segurando uma guitarra portuguesa, banhado por uma mistela com artefactos elucidativos de festa (bem) brava. Parabéns Amália:)

Nesta exposição estão congregados pedaços de tempo, diversas visões que viram (perdoem-me a redundância) em Amália um símbolo, directa ou indirectamente, e que quiseram oferecer um pouco de si sobre a nossa fadista, um pouco do seu significado.

Mesmo passados 10 anos após a sua morte, Amália continua a inspirar, a fazer suspirar corações, a fazer jovens ouvirem fado (mesmo pensando que são da autoria de Amália Hoje), a fazer parte integrante e legitimadora da pesquisa plástica de artistas como Joana Vasconcelos... Recorde-se, também, que grande maioria das obras dos artistas contemporâneos fizeram capa nas reedições em vinil dos fados de Amália, à venda na FNAC, integrados no projecto "Amália Nossa".

Deixo-vos um conjunto de fotografias que ilustram esse aprazível percurso (perdoem-me a legendagem insuficiente):






Sempre em palco








Gabriel Abrantes


Adriana Molder, Saudades de uma Estranha, 2009


Vestido e xaile bordados. Usado no Rio de Janeiro, 1944


Cartaz do filme, Mário Costa, 1947


Cartaz do filme, Hernâni e Rui, 1949









Dir: Maluda, Amália Rodrigues, 1964





Amália na imprensa


Amália na imprensa


Amália na imprensa











Pinto de Campos, vestido bordado e xaile, 1966; Farda Preta, 1987


Leonel Moura, Sem Título, 1987


Joana Vasconcelos, Coração Independente, 2005





Joana Vasconcelos, Coração Independente
Gaivota (Alain Oulman / Alexandre O'Neill)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Boas Festas!

Desejo um Feliz Natal a todos os que me têm acompanhado nesta jornada.




Fotografia: Claude Tidd, The first Xmas Tree in Ross River 1930.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Sou miúda mas qu'importa?

Para animar o fim-de-semana, deixo mais um testemunho desta voz que considero das mais lindas, versáteis, maviosas, que o fado viu nascer e crescer. Num timbre de eterna miúda, para que disso não haja dúvida, aqui fica mais uma homenagem àquela que foi, é e será sempre a figura central deste blogue, não desfazendo a constante aprendizagem ao conhecer cada vez melhor aqueles que compõem o universo fadista. É um autêntico prazer.





Hermínia Silva canta "Sou Miúda" da autoria de Luís Ribeiro e João Fernandes
Gravação de 1958

Nasci nos dias pequenos
E quando alguém me saúda
Ao ver-me assim desta raça
Diz sempre em ar de chalaça:
Lá vai ali a miúda

Sou miúda, mas que importa
Ai, não me rala o ser franzina
Gosto até da sorte minha
Que a mulher mais a sardinha
Só se quer da pequenina

E se Deus me fez assim
Ai, tornou-me mulher benquista
Deu-me esta voz para cantar
Deu-me um coração para amar
E deu-me alma de fadista

Por isso, vivo contente
Ai, sou como os outros mortais
Sou pequena, mas em suma
Não dou a palma a nenhuma
Chego onde chegam as mais